Alguns anos depois, o astrônomo Carl Sagan alocou os seres humanos no contexto de um infinito em seu livro Pale blue dot, que foi inspirado por essa fotografia. Seu discurso de 1996 é adaptado desse livro.
Olhe novamente para aquele ponto. Esse ponto é aqui. É a nossa casa. Somos nós! Nele, todos que você ama, todos que conhece, todo mundo de quem já ouviu falar, cada ser humano que existiu, viveu sua vida até o fim ali. Toda a soma de nossa alegria e sofrimento, as milhares de confiantes religiões, ideologias e doutrinas econômicas, cada caçador e cada fugitivo, cada herói e cada covarde, todo criador e todo destruidor de civilizações, todo rei e todo servo, todo casal apaixonado, cada mãe e cada pai, criança esperançosa, inventor e descobridor, todo professor de moral e cada político corrupto, cada superstar, cada líder supremo, todo santo e todo pecador da História de nossa espécie viveu ali: num monte de poeira suspensa num raio de sol.
A Terra é um palco muito pequeno numa vasta arena cósmica. Pense nos rios de sangue derramados por tantos generais e imperadores para que, em glória e triunfo, eles pudessem se tornar os mestres momentâneos de uma fração de um ponto. Pense nas crueldades sem fim sofridas pelos habitantes de um canto desse pixel, pelos habitantes que mal se pode enxergar de algum outro ponto, o quão frequentes seus desentendimentos, o qual diligentes são para matar uns aos outros, o quão borbulhantes suas antipatias. Nossas posturas, nossa imaginada auto-importância, a ilusão de que temos uma posição privilegiada no Universo. sã desafiados por esse ponto de luz pálida. Nosso planeta é um pontinho solitário num escuro cósmico que o abarca. Em nossa obscuridade, em toda essa imensidão, não há nenhum sinal de que ajuda virá de algum lugar para nos salvar de nós mesmos.
A Terra é o único mundo que conhecemos. Não há nenhum outro lugar, pelo menos não no futuro próximo, para o qual nossas espécies poderiam migrar. Visitar, sim. Se estabelecer, ainda não. Goste ou não, para o momento, a Terra é onde nos estabelecemos. Diz-se que a astronomia é uma ciência que constrói nosso caráter e nos torna humildes. Talvez não haja melhor demonstração da tolice que é a presunção humana que a distante imagem de nosso minúsculo mundo. Para mim, ela sublinha nossa responsabilidade de lidar de forma mais gentil com o outro, preservar e amar nosso pequeno e pálido ponto, o único lar que conhecemos.