quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Jethro Tull - Aqualung


Clássico incontestável do rock 'n roll, quarto álbum da carreira da banda, lançado em 1971, foi o primeiro com o tecladista John Evan (abaixo) como membro full-time, o primeiro com o baixista

Jeffrey Hammond e último com o baterista Clive Bunker. Ian Anderson, como sempre, assumia vocais, violão, flauta e boa parte das composições e produção. Martin Barre já era, desde 1969, o guitarrista.

Aqualung foi um dos primeiros álbuns a ser gravados no estúdio Island Records, na Basing Street, em Londres. Na mesma época, nesse estúdio, o Led estava mixando seu disco IV.

A primeira faixa é a que dá nome ao álbum, a lendária Aqualung. Abrindo o "lado A" com um dos riffs mais famosos de todos os tempos, a faixa-título dá um bom prenúncio do que há por vir. Assim que você coloca esse disco pra tocar, sente que está sendo transportado pra um clima todo próprio desse álbum. Não sei quanto a vocês, mas me sinto levado a uma espécie de taberna do interior da Escócia, num tempo indefinido, um entre-lugar.

A faixa Aqualung fala sobre um mendigo e foi baseada em fotografias que a esposa de Ian Anderson fazia. Aqualung é aquele aparelho que os mergulhadores usam para respirar debaixo d'água. O nome do personagem é esse devido ao som que sua respiração pesada faria.

Depois, temos a magnífica faixa Cross-Eyed Mary (Maria Caolha), que tem um dos meuss riffs preferidos também. Além da flauta mágica do Ian Anderson mostrar a que veio. Ela fala da história de uma prostituta infantil, que ele chama de Robin Hood de Highgate.

Cheap Day Return é uma faixa curta e cantada apenas com voz e violão, mas belíssima. Auto-biográfica, Ian a compôs quando voltava de uma visita ao hospital onde estava seu pai, seriamente doente. Ela tem versos muito tocantes, doces mas cheios de uma ironia amarga:

"does the nurse treat your old man
the way she should.
She made you tea,
asked for your autograph --
what a laugh"

"a enfermeira te trata do jeito que deve, meu velho?
Ela te fez chá, pediu um autógrafo --
Que piada"



Depois, temos a ótima Mother Goose. Com um violão como sempre muito bem tocado, ela é quase toda acústica, com muito boa percussão.
Em seguida, temos outra de minhas músicas preferidas: Wond'ring Aloud.
Ela começa com o violão e o belíssimo vocal do Ian Anderson. Tem um belíssimo arranjo de cordas e piano. Os versos são simplesmente lindos.É uma grande canção de amor e nos brinda com versos muito simples, mas de uma beleza singela e tocável, numa cena de amor do dia-a-dia.

"Wond'ring aloud --
will the years treat us well.
As she floats in the kitchen,
I'm tasting the smell
of toast as the butter runs.
Then she comes, spilling crumbs on the bed
and I shake my head.
And it's only the giving
that makes you what you are."

"Pensando alto --
os anos nos tratarão bem?
Enquanto ela flutua pela cozinha
saboreio o cheiro
da torrada enquanto corre a manteiga.
Aí ela vem, deixando cair migalhas na cama
e eu balanço a cabeça.
E é só o que você dá
que te faz o que você é."

Depois, temos Up to me, que, pra mim, é a que tem mais o tal clima de taberna de que falei no início.

Em seguida, temos My God, que é um caso à parte. Ela é uma música pró-Deus, mas anti-religião, que, segundo Anderson, aprisionaria Deus numa gaiola de ouro, deixando de lado a essência divina, para se apegar às formas de seus dogmas religiosos. A maneira como é abordado o tema da canção está de acordo com uma frase escrita na parte de trás do álbum, parodiando o Gênese, em que se lê: "No início, o homem criou a Deus e fez Deus à sua imagem e semelhança". O que ele quer dizer com essa frase é que o homem criou uma ideia de Deus baseada em si mesmo, sem levar em conta a inefabilidade da divindade.

Essa canção conta com um violão sensacional no início, depois a música é cortada por um riff fortíssimo cujas duas notas iniciais considero dignas da mesma sensação que temos ao ouvir as quatro notas iniciais da Quinta Sinfonia de Beethoveen. Essa mesma semelhança, aliás, pode ser notada na faixa-título, Aqualung.

O álbum segue com o delicioso rock n' roll Hymn 43, a tocante Slipstream, temos o grande piano e guitarra de Locomotive Breath, de cuja introdução eu poderia falar horas e que vai num crescendo até ficar só o som da guitarra distorcida de Martin Barre, momento em que entra a banda num ritmo contagiante. Fechando o álbum, temos Wind Up, com sua temática pró-Deus / anti-religião. Essa música tem uma melodia belíssima e aborda o tema do ponto de vista de um garoto em idade escolar que tem seus questionamentos sobre a religião formal e tem seu próprio diálogo com Deus, que lhe diz que

"I'm not the kind you have to wind up on Sundays"

"Eu não sou do tipo em que você tem que dar corda aos domingos"

O garoto ainda manda um recado aos falsos religiosos, que estão amparados muito mais a uma questão formal e burocrática com a divindade, que, de fato, inspirados por um real sentimento religioso, dizendo que

"In your pomp and all your glory you're a poorer man than me"

"Em toda sua pompa e glória, vocês são homens mais pobres que eu".

Aqualung é um álbum obrigatório pra qualquer um que curte o bom e velho rock 'n roll dos anos 70. Ideal pra jogar xadrez, numa taberna à luz de velas.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Um solo do Gilmour

Há um tempo atrás, comecei a gravar alguns dos solos que mais gostei de aprender a tocar e gostaria de dividir alguns dos que eu fiz com os leitores do blog.

Um dos primeiros foi Time, do Pink Floyd. Depois reeditei o vídeo, com alguns outros recursos, que é a versão que estou postando aqui.

Sempre é bom lembrar que tocar um solo do Pink Floyd, pra mim, é uma coisa de outro mundo, pois sempre tive o Gilmour como um verdadeiro mestre, além de achar a banda simplesmente o máximo. Espero que todos curtam!